Natan Rufino
O Pecado Original de Agostinho
O Pecado Original de Agostinho
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O PECADO ORIGINAL DE AGOSTINHO
A crença primitiva do Cristianismo sempre foi a de que todos os homens foram criados à imagem e semelhança de Deus e que não há distinção alguma entre um ser humano e outro. O Cristianismo nunca defendeu a ideia de classes ou castas nas quais os indivíduos fossem destinados a nascer ou morrer. Os cristãos primitivos defenderam que o homem é plenamente capaz de decidir e escolher o destino que deseja seguir e que, exatamente por isso, todos serão responsabilizados diante de Deus pela vida que tiverem.
A Igreja Primitiva sempre acreditou que a oferta de salvação e a possibilidade real de comunhão com Deus se estendem a todos os homens e que os próprios homens são os únicos responsáveis por aceitar ou rejeitar a oferta. A doutrina cristã sempre defendeu que todos os homens são plenamente dotados de livre-arbítrio e que, por isso, são capazes de escolher converter-se, se assim quiserem.
Clemente Romano foi um cristão que viveu na mesma época do apóstolo Paulo, ajudando-o como seu companheiro de ministério e sendo, inclusive, citado por ele em Filipenses 4.3. Acredita-se que sua carta aos coríntios tenha sido uma das cartas mais antigas do Cristianismo depois dos textos que compõem o Novo Testamento, sendo datada por volta do ano 96 d.C. Em um trecho de sua carta, ele diz o seguinte:
4 Tenhamos os olhos fixos no sangue de Cristo, e compreendamos como é precioso ao seu Pai. Derramado pela nossa salvação, TROUXE AO MUNDO A GRAÇA DO ARREPENDIMENTO. A Escritura ensina o arrependimento. 5 Percorramos todas as gerações e aprendamos que, de geração em geração, o Senhor deu possibilidade de arrependimento A TODOS AQUELES QUE QUERIAM converter-se a ele. 6 Noé pregou o arrependimento, e OS QUE O ESCUTARAM FORAM SALVOS. 7 Jonas anunciou a catástrofe aos ninivitas, e estes se arrependeram de seus pecados; aplacaram a [ira de] Deus com suas súplicas e OBTIVERAM A SALVAÇÃO, embora fossem estrangeiros em relação a Deus.
1ª Clemente 7.4–7
Em relação à salvação, podemos dizer que a mensagem da Igreja Primitiva sempre foi muito simples e objetiva: “Quem quiser se converter, arrependa-se e seja salvo”. Simples assim. Sem malabarismos teológicos e sem tecnicismos fantasiosos. Apenas o apelo à pura e simples liberdade humana de escolher se deseja a comunhão com Deus ou não.
Somente depois da fundamentação teórica desenvolvida por Agostinho em meados do século V que a igreja cristã começou a abandonar a doutrina primitiva e passou a abraçar uma teologia pessimista que refletia sentimentos oriundos do Gnosticismo. A partir desse ponto, o livre-arbítrio começou a ser marginalizado, e a essência do Cristianismo dos primeiros cinco séculos foi abandonada e substituída pela teologia agostiniana que conhecemos no Ocidente.
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